Wednesday, September 12, 2007

Confidencias


Tenho vontade de falar-te e noutros monentos a estar a ouvir o silencio contigo.

Vou fazer-te uma confidência:
aprendi o ofício dos sonhos em versos
que se colam ao corpo,
no fascínio ardente de olhos teimosos de sonetos.
Há um espaço meu dentro de cada poema,
um espaço verde e cheio de areia,
um lugar de mudez, agasalhado de certezas.
Aprendi a voar em linhas, indecisa no azul das canetas.
Irada e louca aprendi a decifrar enganos,
nomes invernosos e pesados,
desfigurei névoas futuristas,
dedilhei a medo o estalar das pedras e das águas.
Parei no frio de uma manhã qualquer
e descobri as coordenadas dos meus sonhos:
perto, perto como as tuas mãos nas minhas.
Vou fazer-te uma confidência:
a tua presença é o tempo que volta,
é sinfonia que se cola ao corpo,
no fascínio ardente de olhos teimosos de sonetos.
Há um espaço meu dentro de ti,
um espaço verde e cheio de areia,
um lugar de mudez, agasalhado de certezas.
Nas coordenadas dos meus sonhos,
encontrei as tuas.
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